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Brasileiro cruza toda África pedalando para torcer pela seleção na Copa do Mundo
 

  
  
21/01/2010

Um brasileiro solitário segue pedalando em direção  à África do Sul em uma aventura de 17 mil quilômetros e mais de dois anos de duração. José Geraldo de Souza Castro, de 52 anos, revolveu sair de Paris, na França, e ir até Joanesburgo em um veículo especial - uma mistura de kart e bicicleta – para torcer pelo Brasil na Copa do Mundo.



Zé do Pedal, como é mais conhecido, vai passar por 22 países durante o percurso. A jornada começou no dia 10 de maio de 2008, em frente à Torre Eiffel, em Paris. Atualmente, ele está em Luanda, capital de Angola. Já percorreu 13.500 quilômetros passando por França, Espanha, Portugal, Marrocos, Sahara Ocidental, Mauritania, Senegal, Mali, Burkina Faso, Costa do Marfim, Gana, Togo, Benin, Nigéria, Camarões, Gabão, Republica do Congo, Republica Democratica do Congo e Angola.


Para a aventura, José Castro utiliza um kart de pedal fabricado na Holanda, equipado com pneus de alta durabilidade, aro de polietileno, freio a disco nas duas rodas traseiras, sete marchas, farol e outros acessórios. Histórias não vão faltar no futuro. Durante a viagem, ele recebeu de um grupo de ciganos uma proposta engraçada para trocar seu kart por um cavalo. Recusou. Mas nem sempre o percurso é tranqüilo. Um momento tenso da viagem foi quando ele atravessou o deserto do Saara e passou por uma área onde há muitas minas terrestres que estão espalhadas nas areias até a fronteira do Marrocos com a Mauritânia.


- Foi uma semana muito difícil e tensa… sabia que não podia sair do asfalto para nada. Chegava a assustar e até mesmo estressar um pouco.


Na Nigéria, o temor era de sequestro. Principalmente após passar a ponte sobre o rio Niger e entrar no estado do Delta, onde grupos extremistas se opõem à exploração de petróleo por empresas ocidentais e usam o rapto de pessoas como forma de conseguir dinheiro para comprar armar e manter as tropas. Situação parecida na Costa do Marfim, adversário do Brasil na primeira fase da Copa do Mundo.


- Ao chegar na Costa do Marfim, passei por uma zona controlada pela milícia rebelde daquele país, onde não existe leis. Ou seja: manda quem pode e obedece quem tem juízo.


As mudanças climáticas também foram um obstáculo para o brasileiro. Ele já pegou duas vezes malária.


- No Senegal foram quase 300 quilômetros de estradas de terra sob um calor de 45 graus, onde apenas conseguia avançar uns 30 quilômetros por dia. Foram 12 dias comendo poeira e cuspindo tijolo. Já no litoral atlântico começou a estação de chuva e com aguaceiros constantes chegaram também os mosquitos… Ao chegar a Accra, capital de Gana, enquanto a seleção brasileira vibrava com cada vitória na Copa das Confederações (em 2009), eu revirava na cama vítima da Malária.



Brasileiro atravessa área do Saara cheia de minas terrestres



A aventura está perto do fim. Zé do Pedal segue esta semana em direção a Namíbia. Depois vai passar pela Botswana até chegar a África do Sul. São mais 3.500 quilômetros pela frente. A previsão de chegada a Joanesburgo é no dia 1º de junho, na Praça Nelson Mandela. Abaixo, o brasileiro revela mais alguns detalhes da sua aventura pelas terras africanas:


Tentativas de assalto
“Foram duas tentativas na Nigéria, um país muito difícil em todos os sentidos, na região do Delta do Rio Niger, entre as cidades de Abakaliki e Calabar.Na primeira vez fui parado por duas pessoas de motocicleta dizendo que eram da segurança do povoado. Isso era normal, cada povoado tem uma equipe de pessoas que fazem sua segurança. Elas me pediram para ver o que eu trazia no reboque. Reviraram tudo e viram onde eu guardava cada coisa. Só saíram dali depois de verem eu arrumando novamente as coisas no reboque. Deixaram-me ir e, mais ou menos meia hora depois, voltaram a me parar pedindo para abrir de novo o reboque. Aí descobri que queriam me assaltar. Por sorte parou uma van perto para descer passageiros e pedi socorro. Na segunda vez fui parado por três pessoas que anunciaram o assalto e queriam dinheiro. Enquanto tentava explicar que não tinha mais dinheiro – já tinha dado a eles o equivalente a 10 do dólares – vi um carro do exército e sai correndo para pedir ajuda. Mas eles levaram meus 10 dólares e um banner no qual vinha recolhendo assinaturas dos amigos que encontrava pelo caminho”.



O percurso de Paris a Joanesburgo



Momento mais difícil
“A passagem pelo deserto do Saara, não apenas pelo escaldante e constante calor de mais de 40 graus, mas também pelas minas terrestres espalhadas em uma extensão de mais de 400 quilômetros entre a cidade de Dackla (Saara Ocidental) até a fronteira com a Mauritania”.


Kit de primeiros socorros
“Não sinto câimbras, mas às vezes preciso de uma boa massagem na batata da perna, principalmente naqueles trechos em que existem muitas montanhas. Meu kit de primeiros socorros é bem simples: creme mentolado para dores musculares, comprimidos para aliviar as dores e, uma coisa que não pode faltar na África, tratamento contra a malária. Antes eu tomava preventivos, porém estava atacando muito o fígado e os rins e parei de tomá-los. Os comprimidos para prevenção são bons, mas apenas para quem vem passar um ou dois meses”.
 
Noites
“Na maioria das vezes durmo em barraca. Às vezes em casa de amigos que encontro pelo caminho. Algumas noites dormi em hotéis, embaixadas e consulados brasileiros. Em Joanesburgo, vou procurar um camping perto da concentração do Brasil. Durante a copa, não quero perder nem treinos de nossa Seleção. Ainda não tenho ingressos para os jogos. Com sorte conseguirei em Joanesburgo, nem que seja para assistir da geral”.


Volta para o Brasil
“Penso voltar de navio ou avião. Ainda não tenho passagem para voltar e estou tentando algum patrocínio para a passagem, mas está um pouco difícil”.


Fonte: Thiago Lavinas / Globo.com


Link original: http://colunas.globoesporte.com/primeiramao/2010/01/21/brasileiro-cruza-toda-africa-pedalando-para-torcer-pela-selecao-na-copa-do-mundo/

Fotos
  
  
  
  
  
José Castro  

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